domingo, 15 de janeiro de 2012
Viagem ao Vilarejo
A minha arte era confundida com loucura
e prostituição.
E meus ombros carregavam a leveza
de não ter a culpa no meu coração.
Arte, desarte, obras em vão.
Meu egoísmo não deixava mais
eu escrever coisas bonitas.
Trágico, de tão irônico, talvez até lúdico,
diariamente me afogava em minhas canções.
Precisava da melancolia daquele vilarejo
para me lembrar da inspiração.
Era como eu via aquela pequena cidadezinha
interiorana, um vilarejo.
Não menosprezando, mas eu me indignava
com cada vida que havia naquele lugar.
Cada porta aberta, cada cachorro que passava.
Aquele ar engomado e amargo, aquelas casas
antigas que vibravam dor de tantas lembranças.
Tudo não passava de um passado não esquecido,
intrigante, emocionante, passivo.
Entro em uma casa histórica, onde um velho
amigo meu vive.
Mora só, coberto de ilusões materiais
e lembranças fraternais.
Quantos detalhes para se admirar..
Quantas balas ja foram atiradas naquele muro?
Quanta raiva foi lançada naquele momento?
Por quantas mãos ja passaram aquele relógio estilo bússola?
Quantas digitais diferentes teriam espalhadas por cada canto e copo
daquela casa?
Memórias fantasmas, lembranças cruéis.
Inveja e vingança andam de mãos dadas pelas ruas da cidade.
A mente se mantém inerte, presa e bitolada.
Não reconhecem o que é justo, quem sabe o que é justo?
Seu Gongo conhece os pecados de Dona Eliana
e o dono da quitanda viu Seu Miro da banca
de cigarros, infartar, pois bem, deixa pra la.
Tudo é lastimável por aqui, e aos poucos tudo está
se acabando, assim como todos se acabam por aqui.
Esôfago Dilacerado.
Tudo descia rasgando;
o ódio, a cerveja, o coração,
a fumaça, e a minha estupidez.
Tudo ia me dilacerando.
Eu queria tanto aquele ser,
eu queria tanto escrever,
eu queria tanto sentir,
queria tanto admirar..
Tudo que tinha era um cigarro
na mão e os ouvidos entupidos.
E mesmo assim o que mais me irritava
era tudo que descia rasgando.
O amor confundido com ódio,
o tesão com desafeto,
a vida com morte.
Excluí o ser da minha caixa,
só não conseguia excluir
da minha garganta.
Rasga, dilacera, arrebenta
meu esôfago.
O que salva minha vida?
Meu Deus, me alivie.
Pois ja não consigo engolir nem
meu próprio clamôr.
o ódio, a cerveja, o coração,
a fumaça, e a minha estupidez.
Tudo ia me dilacerando.
Eu queria tanto aquele ser,
eu queria tanto escrever,
eu queria tanto sentir,
queria tanto admirar..
Tudo que tinha era um cigarro
na mão e os ouvidos entupidos.
E mesmo assim o que mais me irritava
era tudo que descia rasgando.
O amor confundido com ódio,
o tesão com desafeto,
a vida com morte.
Excluí o ser da minha caixa,
só não conseguia excluir
da minha garganta.
Rasga, dilacera, arrebenta
meu esôfago.
O que salva minha vida?
Meu Deus, me alivie.
Pois ja não consigo engolir nem
meu próprio clamôr.
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