
Supremo Porco, venho por meio dessa carta desabafar algumas pérolas.
Aqui jaz um povo cuja dignidade está sendo violada, maltratada.
O que sobram são as migalhas de uma sociedade esquecida.
Uma voz calada transmite nos olhos a injustiça com um olhar apertado e enrugado.
Saudade das rosas, saudades do mar.
O nosso povo padece sem esperança. Oh Senhor, tem piedade de nós!
O corpo de um ser humano sepultado em meio ao lixo,
onde a esperança das crianças é um simples sorriso.
Não há como culpá-los pela miséria e igorância. Assim é fácil.
A culpa é do vagabundo que não vai para a escola, é do ladrão que não quis trabalhar.
Mas esquecem que nas escolas os mestres estão cansados da precariedade, do baixo salário,
o que ocasiona um mau rendimento no ensino, eles não têm mais autoridade perante os alunos,
e os tais alunos vagabundos não têm motivaçao e uma visão ampla do futuro, do que é certo e errado.
Esquecem do ladrão que não quis trabalhar, que muitas vezes ele pode ter tentado, mas não foi aprovado,
teve filho e teve que apelar de alguma forma para o sustentar.
Falta educação, falta oportunidade, falta AMOR entre as pessoas.
Meu senhor, nós somos gente como o senhor, sentimos frio, sentimos fome, nós temos sentimentos.
Nós temos filhos, nós temos dores.
Uma hora tua historia também vai acabar, tuas pálpebras vão se fechar, e para onde tu vai,
ah, eu prefiro nem falar.
Somos guerreiros, e lutamos por nossa dignidade, uma moradia, um prato de comida e respeito.
Se eu pudesse lhe dar um conselho eu diria : Largue de ser hipócrita.
Mandaria rasgar a constituição, fumaria as folhas e sopraria a fumaça na sua cara.
Queria vê-lo engasgar, porque nossa garganta já está cansada desse nó.