terça-feira, 15 de outubro de 2013

Carta para o porco maior

Supremo Porco, venho por meio dessa carta desabafar algumas pérolas. Aqui jaz um povo cuja dignidade está sendo violada, maltratada. O que sobram são as migalhas de uma sociedade esquecida. Uma voz calada transmite nos olhos a injustiça com um olhar apertado e enrugado. Saudade das rosas, saudades do mar. O nosso povo padece sem esperança. Oh Senhor, tem piedade de nós! O corpo de um ser humano sepultado em meio ao lixo, onde a esperança das crianças é um simples sorriso. Não há como culpá-los pela miséria e igorância. Assim é fácil. A culpa é do vagabundo que não vai para a escola, é do ladrão que não quis trabalhar. Mas esquecem que nas escolas os mestres estão cansados da precariedade, do baixo salário, o que ocasiona um mau rendimento no ensino, eles não têm mais autoridade perante os alunos, e os tais alunos vagabundos não têm motivaçao e uma visão ampla do futuro, do que é certo e errado. Esquecem do ladrão que não quis trabalhar, que muitas vezes ele pode ter tentado, mas não foi aprovado, teve filho e teve que apelar de alguma forma para o sustentar. Falta educação, falta oportunidade, falta AMOR entre as pessoas. Meu senhor, nós somos gente como o senhor, sentimos frio, sentimos fome, nós temos sentimentos. Nós temos filhos, nós temos dores. Uma hora tua historia também vai acabar, tuas pálpebras vão se fechar, e para onde tu vai, ah, eu prefiro nem falar. Somos guerreiros, e lutamos por nossa dignidade, uma moradia, um prato de comida e respeito. Se eu pudesse lhe dar um conselho eu diria : Largue de ser hipócrita. Mandaria rasgar a constituição, fumaria as folhas e sopraria a fumaça na sua cara. Queria vê-lo engasgar, porque nossa garganta já está cansada desse nó.