terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Se você pensa que meu coração é de papel...


Fiz um coração de papel,
coloquei na perna dele em cima do jeans
e joguei ao vento com a ponta do dedo.
Não sei bem o que isso significou
desde o princípio quando o fiz
até o final quando ele foi parar
no chão e se juntou a um milhão de bactérias.
Olhei ressabiada para ver a reação dele
diante daquela situação.
Era papel, mas também era um coração.
Esperei fingindo não estar ligando
pra ele, para o coração, para as pessoas que
estavam junto, e muito menos para o papel.
Ele se levantou, pisou no coração e foi embora.
Mas vi quando ele guardou um fio do meu cabelo
no seu bolso.

Você não me lembra você

A voz do meu cantor preferido me lembrava você,
calçar um salto alto me lembrava você.
O cheiro de uma caixa de bombom,
a fumaça do cigarro,
uma torneira quebrada,
o asfalto quente,
uma escova de dente,
um banho gelado,
olhos desconfiados,
cheiro de café.
Cair na rua me lembrava você.
quebrar um copo, me dava vergonha
e me lembrava você.
chorar e fantasiar me consumia quando
lembrava de você.
Até coisas que não lembravam você,
me faziam lembrar você.

Paredes de agonia


Sozinha, insignificante, sozinha.
Aquelas paredes me davam medo.
Nem o branco existia mais.
Toda aquela fumaça, toda aquela
loucura ja tinha tomado forma
e cor das paredes.
Tinham cara de precipício,
de ditadura, de manicômio,
de rua.
Talvez um colorido pra mostrar
que aqui mora um gay,
talvez um preto pra mostrar
que nao temos preconceito,
ou um azul giz de cera
pra espantar os maus espiritos,
ou apenas deixar como está
pra lembrar que precisamos mudar.

'Seu' Ninguém


Todos os dias às nove da noite
o mendigo passa por la.
Observando da janela vejo
seus passos curtos,
seu corpo tombando pra
esquerda.
Atravessa a faixa de pedestre
cuidadosamente.
Olhando apenas pro chão,
o chão que é onde ele vive,
onde ele dorme, onde se expõe
e se esconde.
Ja não liga para os olhares alheios,
ja se tornou parte do chão.
Uma sujeira, um parasita,
um ser humano abandonado,
esquecido, fedido e maldito.
A procura de quê?
Ele vive pra quê?
Ja não sofre
pois ja nem sabe que vive.

Edifico


Meu trabalho era isso;
juntar tolices com um pouco
de rum, conhaque e whisky.
Minhas palavras não edificavam
e eu me condenava por isso.
Me questionava ; seria a vontade
de Deus escrever tanta tolice?
Aquela inspiração toda, de que serviria?
Não edifico, pois, expresso tortutas da mente.
Transporto minha maluquisse pro papel
e para as pessoas.
Me livro dela.
Enfim apenas edifico a mim mesma.

Past present future

Enquanto eles riam, eu chorava,
as paredes gritavam, as árvores,
os passaros, as torneiras,
tudo chorava..
Aqui o cigarro volta a ser
prazeroso,
os mendigos são
atrevidos e audaciosos.
Loucos, tudo é uma grande loucura.
O tempo não para,
aqui ninguém tem tempo para
ser feliz, muito menos triste.
E eu me despedia de tudo isso
com a tristeza mais profunda
que podia existir.
Com muita falta de graça,
com mãos e pés engruvinhados,
não sabia muito bem o que estava
deixando pra trás.
Uma parte de mim, talvez,
uma parte do presente que estava
virando passado.
A cada segundo seguinte, o segundo anterior
ja se tornou passado.
O passado esta presente,
o presente ja está sendo passado.
Talvez o que restava era só o medo do futuro.