terça-feira, 13 de dezembro de 2011

'Seu' Ninguém


Todos os dias às nove da noite
o mendigo passa por la.
Observando da janela vejo
seus passos curtos,
seu corpo tombando pra
esquerda.
Atravessa a faixa de pedestre
cuidadosamente.
Olhando apenas pro chão,
o chão que é onde ele vive,
onde ele dorme, onde se expõe
e se esconde.
Ja não liga para os olhares alheios,
ja se tornou parte do chão.
Uma sujeira, um parasita,
um ser humano abandonado,
esquecido, fedido e maldito.
A procura de quê?
Ele vive pra quê?
Ja não sofre
pois ja nem sabe que vive.

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