domingo, 29 de janeiro de 2012

Carta à Roberta


O que mais poderia me dizer Roberta?
Deixou a chave em cima da geladeira,
guardou a carne no freezer,
deixou o pó de café cair no chão da cozinha,
e disse que me amava.
O que eu poderia dizer a Roberta?
Que eu sou uma pobre escritora de melancolias,
com um toque de desamor,
com os dentes amarelos,
com os cabelos caindo,
com voz de treze anos
com alma de sessenta.
Querida Roberta, ninguém merece
me carregar como fardo.
Sou tão explosiva com a vida,
nem um pouco materialista,
nem tampouco socialista,
sou totalmente imediatista.
Quero as coisas no meu tempo,
e nesse tempo não te quero.
Roberta, não quero ninguém,
pois não mereço carregar o fardo
de ninguém.
Vivo bem com minhas tralhas,
vivo bem com minha farda
que me esconde do mundo.
Roberta, te peço que se me ama,
me aceite, e se me aceite,
me deixe.
Seus cabelos vermelhos me
embassam a vista ultimamente,
seu sutiãn de bolinhas me
impregna na mente, e fico vendo
essas malditas bolinhas em todo
lugar.
Diariamente, inconscientemente
mal percebo que desenho bolinhas
na mesa de jantar.
O jeito que tu faz com os lábios
quando quer me beijar,
Deixando cair gotas de saliva
no lado esquerdo da boca,
tem dia que me da nojo.
Roberta, ja não sei o que sinto por você,
sei que sou um ser humano eloquente
que não necessita de nojo, de amor, nem de ódio,
Me basto sozinha com todas essas qualidades.
Adeus.

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